8# MUNDO 22.4.15

QUEM SEGURA HILLARY?
Ex-primeira-dama dos Estados Unidos oficializa candidatura  presidncia, direciona a campanha para a classe mdia e minorias e desponta como favorita nas eleies de 2016
Mariana Queiroz Barboza (mariana.barboza@istoe.com.br)

O caminho de Hillary Clinton para a presidncia dos Estados Unidos comeou na semana passada, quando a ex-primeira-dama percorreu, em uma van, 1,6 mil quilmetros do Estado de Nova York para Iowa, logo aps oficializar sua candidatura. A longa viagem  na jornada, ela participou de diversos eventos de campanha  ilustra a firme disposio de Hillary em suceder Barack Obama. Nos ltimos dois anos, a mulher do ex-presidente Bill Clinton fez suspense sobre seu futuro poltico, mas preparou o terreno com o lanamento de um livro de memrias baseado no perodo em que chefiou o Departamento de Estado, no primeiro mandato Obama. A confirmao de sua pr-candidatura pelo Partido Democrata chegou no domingo 12 com um vdeo divulgado nas redes sociais, em que s aparece da metade para o final.

LTIMA CHANCE - Aos 67 anos, Hillary Clinton se prepara para a segunda tentativa de concorrer  presidncia

Estou me preparando para fazer algo tambm, diz. Estou me candidatando a presidente.
Aos 67 anos e em sua segunda e provavelmente ltima chance de ser presidente, Hillary no tem tempo a perder. Na tentativa de no repetir os erros de 2008, quando perdeu para Obama a indicao do Partido Democrata, a candidata modernizou sua comunicao com potenciais eleitores e doadores e definiu uma mensagem principal para a campanha. Hillary quer direcion-la, sobretudo,  classe mdia e aos trabalhadores, sem esquecer das minorias, como hispnicos e homossexuais, tambm representados em seu vdeo inaugural. Na turn para Iowa, em vez de discursos em grandes auditrios, preferiu visitas a cafeterias e escolas, e conversas com cidados comuns. Ela est disposta a ouvi-los, disse  ISTO o socilogo e pastor Tony Campolo.

Ex-conselheiro espiritual de Bill Clinton, Campolo tem apoiado Hillary abertamente. Segundo ele, que hoje em dia costuma se encontrar com os Clinton ao menos duas vezes por ano, Hillary passou a considerar concorrer  presidncia quando George W. Bush estava no poder. Ela se incomodava com o fato de que, enquanto o custo de vida subia dramaticamente, os trabalhadores continuavam ganhando o mesmo que 20 anos atrs, afirma. Agora a ex-primeira-dama garante estar empenhada em aumentar o salrio mnimo, limitar os juros cobrados pelos bancos e oferecer assistncia mdica universal. Hillary mostrou comprometimento com suas promessas quando o escndalo Monica Lewinsky estourou, afirma o pastor, em referncia  relao extraconjugal do ex-presidente com uma estagiria, em 1998. Muitas mulheres teriam terminado o casamento, mas ela manteve-se fiel ao juramento de que estaria ao lado de seu marido nos bons e nos maus momentos. Mudar de lado em questes fundamentais, Hillary s mudou uma vez. Antes de estudar Direito na Universidade de Yale, frequentou uma faculdade exclusiva para mulheres, em Massachusetts. Na Wellesley College, militou para o Partido Republicano, mas depois se descobriu democrata e ali permaneceu.

Para provar sua afinidade com a desigualdade de renda enquanto tema central, Hillary dever se distanciar de gafes que evidenciam sua posio privilegiada, como quando disse que no dirigia seu prprio carro desde 1996. Dessa vez, Hillary quer a empatia dos eleitores, diz Kelly Dittmar, professora do Centro para Mulheres Americanas e Poltica da Universidade de Rutgers, de Nova Jersey. Nesse esforo, a democrata dever esperar menes ao fato de recentemente ter se tornado av. Alguns artigos na imprensa americana j questionaram sua capacidade de conciliar as duas funes ao mesmo tempo. Hillary sofre com o machismo como qualquer outra candidata, diz Christine Jahnke, presidente da Positive Communications e media trainer especialista em mulheres que disputam cargos polticos nos EUA. A cobertura das candidaturas femininas coloca o foco na roupa, no cabelo, no tom de voz. Mais do que os homens, as mulheres precisam demonstrar que so qualificadas para o trabalho e so amveis. Christine j trabalhou com a primeira-dama Michelle Obama e orientou os assessores de Hillary Clinton na campanha presidencial passada.

Ainda que tenha uma imagem de lder global consolidada e um extenso currculo na poltica, com passagens pelo Senado, a democrata ter que lidar com dois desafios. O primeiro ser explicar as falhas de segurana que resultaram na morte de quatro oficiais americanos num atentado ao Consulado de Benghazi, na Lbia, em 2012, quando era Secretria de Estado. O segundo ser divulgar as mensagens que trocou naquela poca por seu e-mail pessoal, em vez da conta oficial do governo. O escndalo levantou dvidas sobre seu compromisso com a transparncia. Mas, para muitos americanos, esse deslize no  capaz de tirar seu favoritismo. Depois de um presidente negro, teria chegado a vez de uma mulher na Casa Branca. Tracy Sefl, conselheira snior do Ready for Hillary, resume o sentimento: Acredito que os EUA esto preparados para eleger uma mulher como presidente. No simplesmente uma mulher, mas uma singularmente qualificada, comprometida e experiente. 

